RODÃO GIGANTE
Três pontes num percurso de aproximadamente 6 km ao longo do rio? Pontes mais para carros do que pra pedestres.
Longe de ser o maior problema da região da calha Pinheiros, quanto mais da cidade de São Paulo, a transposição do rio apresenta-se, mesmo assim, como um problema complexo.
Algumas favelas, indústrias, universidade, presídio, ceasa, cercados por casas bacanas formam uma colcha de retalhos que tem como ferida não cicatrizada um rio-esgoto cortando toda região.
Será que bastariam passarelas ou túneis? Ou exclusão das vias expressas? Com certeza não... A estrutura da cidade está mais poluída que o rio, e pra isso ainda não foram viabilizadas as estações de tratamento de sistemas político-sociais. E “tratamento” talvez seja pouco.
Através da discussão em grupo no decorrer do desenvolvimento desse trabalho diversas propostas foram surgindo, mas todas esbarravam na fraqueza da proposição frente aos problemas estruturais da cidade. Optei por uma proposta que não foi minha, mas tive permissão da autora pra desenvolver. Admiti, mais uma vez, o “desvario constante, que odeio tanto mas quero ter pra mim também”, da Carol Zul.
Diante do dejeto que é a realidade um pouco de circo é extremamente necessário, não como fuga, mas como um respiro.
Um rodão-gigante, que serve de meio de transposição ao transeunte, pode ser mais do que algo espalhafatoso... Pode ser extremamente divertido! Com 100m de diâmetro, este rodão é facilmente o maior do Brasil e um dos maiores do mundo (o London eye, atualmente o maior, tem 137m). Mas assuntos relativos ao livro guiness são os menos relevantes uma vez que esse é o diâmetro da calha do rio e, ao mesmo tempo, proporciona uma visão geral da região, permitindo uma leitura clara dessa judiada região da cidade.
Ligando o morro do Jaguaré com o terreno do ceagesp muitas possibilidades se abrem. A cota do morro permite uma ligação em nível até o ponto de embarque no rodão e uma melhor acessiblidade à população que lá mora.
No outro extremo do complexo, o terreno, que atualmente funciona o ceagesp, promete abrigar um projeto de grandes proporções e terá também, integrado ao sistema a estação de trem da cptm, que foi reposicionada para melhorar sua funcionalidade, que hoje é precária.
Elevadores transportam os usuários a 50m acima do chão, e uma vez dentro da roda o passageiro pode tanto aproveitar a vista ampla quanto ter a sensação de tocar a água do rio, o que pode ser interessante, com a água suja ou limpa.
De utilidade duvidosa, com baixas possibildades de execução, um desenho não exatamente belo, o rodão diante de tudo isso continua
girando, e vai.